quinta-feira, 19 de maio de 2016

Uma casa no meio do caminho | Barry Martin e Philip Lerman (#R03)


Ao andar na rua, até mesmo da sua casa, você já observou as pessoas que estão ou vivem ali? Você já pensou que essas pessoas podem ter histórias fascinantes e incríveis para nos contar? Que essas pessoas viveram histórias dignas de um livro ou filme? Pois essa é a história desse livro.

Título: "Uma casa no meio do caminho"
Autores: Barry Martin com Philip Lerman
Ano: 2015
Páginas: 240
Idioma: Português
Editora: Sextante

Sinopse (trecho): "Um enorme shopping estava prestes a ser construído na cidade americana de Seattle, mas no meio do terreno havia a casinha de Edith Wilson Macefield, uma velhinha durona que estava decidida a não arredar pé dali. Quando o responsável pela obra, Barry Martin, foi conversar com ela, todos acreditaram que iria convencê-la a mudar de ideia. Mas estavam redondamente enganados."

Sobre os autores


Barry Martin
Link: De onde tirei essa foto?
Barry Martin – “Supervisiona projetos de construção e adora contemplar paisagens. Além disso, costuma pescar e caçar. Ele nasceu em Seattle, onde mora atualmente, com a esposa e filhos. ”.







Philip Lerman
Link: De onde tirei essa foto?
Philip Lerman – “É escritor e produtor. Já foi editor nacional do periódico USA Today e produtor executivo assistente do programa de TV Americas’s Most Wanted. Atualmente, mora em Washington. ”.





Sobre o livro


Livro de caráter biográfico, retrata o momento em que Barry Martin, um mestre de obras e também o narrador dessa história, é contratado para construir um shopping num bairro da cidade de Seattle, chamado Ballard, e conhece uma velhinha durona, como ele mesmo diz, chamada Edith Wilson Macefield.

"A princípio, o que pensei foi: ‘Ela é doida!’.".

Edith Wilson Macefield (foto abaixo), uma senhora com mais de 80 anos, era a dona de uma casa localizada no quarteirão, onde a construtora Ledcor desejava construir um shopping. Todas os demais moradores do quarteirão aceitaram vender suas propriedades, mas Edith não! Permaneceu firme em sua decisão. Ela chegou a receber uma oferta de até 1 milhão de dólares! Sim, 1 milhão de dólares!


E para você que pensa que estou dando spoliers: não! A persistência de Edith em não vender teve uma repercursão enorme, indo parar nos jornais locais e nacionais (Estados Unidos), como The Seattle Times e CBS News, respectivamente.

Para você ter uma idéia, no artigo "The Woman Who Wouldn't Sell", da CBS News, mostra Edith, em um vídeo, se recusando a falar com o repórter Steve Hartman. Esse vídeo bombou na web e o caso ficou conhecido no mundo todo.

A velhinha ficou famosa, se tornando uma heroína local, por causa de recusar tamanha oferta e permanecer na casa até o fim de sua vida. Não, isso também não é spoiler! Também saiu nos jornais!

Nesse processo da construção, Barry conhece Edith, já que sua casa é perto de seu trabalho. E em pouco tempo, eles se tornam tão próximos que Edith, que mora sozinha, começa a lhe pedir ajuda para dirigir e levá-la ao cabeleireiro, depois ao médico, fazer suas compras, etc..... Após algum tempo, Edith, por causa de sua saúde, se torna extremamente dependente de Barry.

No entanto, Barry possui uma grande curiosidade acerca da história dessa distinta senhora. Ela não é de falar muito sobre o seu passado, mas no desenrolar da história, ele descobre coisas tão fantásticas acerca da vida dela, que ele chega a se questionar se tudo aquilo que Edith estava lhe contando era realmente verdadeiro ou não.

Ela escreveu mesmo livros? Foi espiã? Conheceu Hitler? Viveu na Europa? Foi rica? .... Tudo que Edith conta sobre si mesma era realmente verdade ou loucuras de uma velhinha gaga com mente muito fértil e fantasiosa?

Você vai precisar ler o livro para descobrir. Não só para para saber sobre ela, mas também sobre a experiência de Barry ao cuidar dessa senhora.

Minhas impressões pessoais sobre o livro


Achei esse livro fascinante! Aliás que, como postei nas redes sociais, há muito tempo não leio um livro tão divertido. Com certeza, pelo menos para mim, foi uma leitura que valeu muito a pena.

Vi o quanto pessoas comuns, como eu, você e os outros, temos muitas histórias interessantes e reais para contar.

Uma coisa que pude notar, também, ao ler esse livro, é o quanto podemos aprender com as outras pessoas. Barry aprendeu a lidar com seus pais, que estavam entrando na terceira idade, através de sua amizade e convivência com Edith.

Respeitar a individualidade e a decisão de outras pessoas, mesmo que tenham mais de 60 anos, é essencial. Se essa pessoa possui lucidez, ou seja, é capaz de tomar decisões próprias, é preciso que suas decisões sejam respeitas.

Apesar dela ser a favor de mudanças, pois isso pode indicar sinal de progresso, Edith queria viver até a sua morte, em sua casa, onde sua mãe também morreu. Ela não devia nada a ninguém, apenas queria que sua decisão fosse respeitada. Por isso, não arredou o pé dali. Ela sabia o que queria e lutou por isso.

Algo que faltou nesse livro, pelo menos para mim, foram imagens. Já que não se trata de uma ficção, mas de uma história real, com pessoas reais, podiam ter disponibilizado imagens da casa, bem como da própria Edith nas páginas do livro.

O que aconteceu com a casa da Edith?


Nunca viajei para fora do Brasil, mas se um dia for aos Estados Unidos, quero ir a Seattle conhecer o bairro de Ballard. Pelo menos, até o momento em que escrevo essa resenha, segundo algumas pesquisas no Google, a casa permanece no mesmo lugar.

Ela corre o risco de ser demolida, segundo a ONG OPAL. Essa ONG está tentando levantar fundos para tentar remover toda a estrutura da casa, sem danificá-la, para outro lugar, com o objetivo de dar moradia a alguma família necessitada.

Campanha da ONG OPAL para preservar a casa da Edith
Algo como "Que tal passar a casa da Edith adiante?"
(Perdão se a minha tradução estiver macarrônica! Risos)
Link: De onde tirei essa imagem

Experiência com a leitura: Indico ou não indico?


Claro que indico! Considero uma ótima indicação para pessoas que não possuem o hábito de ler. Já que a narrativa possui uma linguagem excelente, de fácil compreensão e leitura. É uma leitura muito agradável.

E, também, para cuidadores de idosos, enfermeiros e profissionais da saúde, em geral, bem como familiares. É triste ver tantos descasos no tratamento de idosos.

Curiosidade


Se você gosta de filmes de animação, assim como eu, talvez o fato de Edith não ter querido vender sua casa, para uma construtora, tenha te lembrado de algum desses filmes... ?!

Sim, esse mesmo! “Up, Altas Aventuras”! O longa de animação conta a história de um senhorzinho vendedor de balões chamado Carl Fredricksen, de 78 anos, que assim como Edith, decide não vender sua casa para a construtora de uma obra que está acontecendo em seu quarteirão.

Depois de alguns incidentes, correndo o risco de ser internado num asilo, ele enche a sua casa de balões e foge, voando, com ela para viver “Altas aventuras! ”. Veja o trailer no vídeo abaixo:


Embora o filme não tenha sido inspirado na história de Edith, como a Pixar faz questão de afirmar (ver site Adoro Cinema), já que o longa foi idealizado em 2004, e a proposta da venda casa de Edith, bem como início das obras, aconteceu em torno do ano 2006 a 2007, a sua casa foi usada para promover o filme (foto e vídeo abaixo). Inclusive com balões coloridos, conforme consta na contracapa do livro.

Vídeo de 23/04/2015

Foto da casa da Edith na contracapa do livro

Novidades


E preparem a pipoca!

Segundo o site Adoro Cinema, conteúdo especializado no mundo cinematográfico, a história de Barry e Edith vai virar filme!

O longa, idealizado por John Whittington, será produzido pela Fox Searchlight e contará essa bela história de amizade num estilo comédia dramática. Não dá para perder!


E você? Já leu o livro? O que achou? Deixe sua opinião nos comentários!